Desconfortável
Exausta de fazer tudo errado
“Eu não vou me anular pra deixar os outros confortáveis, não dessa vez…”
“E quando foi que você fez isso na sua vida? O que você mais faz é deixar os outros desconfortáveis, o seu conforto vem em primeiro pra você”
Desde criança eu sei que eu deixo os outros desconfortáveis. Eu não sei porque, nem sei como, mas eu sei que eu deixo. Meus pais sempre me acharam cruel e arrogante. Meus irmãos me tem como controladora, caótica e intransigente. Meus amigos nunca entenderam bem o espaço que eu coloco entre nós e nunca conseguiram se conectar muito comigo (não é de propósito, apenas acontece, talvez pelo bem deles).
Eu cresci sendo a ovelha negra da família. Eu era dura, pontiaguda, espinhenta. Como minha avó dizia: “você tem que ser mais amável”. Eu não era amável o suficiente (e talvez nunca tenha sido).
Tem algo descompassado, mal diagramado na minha alma. Todo mundo que eu amei e me amou sempre me achou errada. Eu sempre falei as palavras erradas, e tomei atitudes erradas, e fiz as pessoas sofrerem por isso.
Eu queria ser mais suave, leve, saber consolar as pessoas com as palavras certas, ser uma pessoa genuinamente boa que não faz ninguém sofrer. Eu queria ser o que a minha vó sempre quis que eu fosse: uma boa menina.
Eu não sei o que fazer pra ser assim. As minhas configurações de fábrica parecem todas estranhas. Tipo um brinquedo falsificado do Paraguai. De longe até que parece legal, mas de perto é todo estranho. Falta algo. Eu queria que não faltasse algo em mim. Talvez assim eu fosse confortável.



Eu li isso hoje de manhã antes do trabalho e me fez refletir bastante. Eu tenho várias versões de respostas dentro de mim. Uma é daqueles textões de análise de 50 páginas sobre a minha experiência com o meu sentimento. Outra é bem coloquial: Ah papo reto? Gente chata do caralho. Parece que você tá cercada de gente que não sabe te reconhecer e dar o tipo de carinho que você precisa. E você cresceu sendo moldada nesse lugar de ovelha negra. Na minha experiência, a solução é sempre ser mais do que você é. Se você é pontuda? Seja mais ainda. Vira um espinho. Coloca a bela adormecida pra dormir 50 anos. Seja cruel, horrível, distante. Seja a pessoa que você tem que ser. Eu não sei se eu estou certa ou não, mas na minha experiência se aceitar e aprender a ser você abertamente, sem culpa, é a melhor coisa que você pode fazer.
Sinto muito que se sinta assim. Eu me sinto assim, mas no meu caso é autismo, já cogitou se você é autista?